sexta-feira, 6 de julho de 2018

Importações travam após anúncio de subvenções ao diesel

A interferência do governo no preço dos combustíveis depois da greve dos caminhoneiros afetou um grupo de empresas responsáveis por 60% do diesel e da gasolina trazidos do exterior. É o que afirma Sérgio Araújo, presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), que reúne nove importadores.

Segundo o executivo, depois que o Decreto 9.403/2018 foi publicado, as importações dos associados praticamente pararam e não foram mais retomadas, mesmo após o governo ter se comprometido a indenizar as empresas pelos subsídios.

"O decreto foi feito no calor da greve e não reflete a paridade. E com isso as operações dos importadores independentes foram interrompidas", explica Araújo. "Em junho e julho, as importações estão tendendo a zero. O que ainda está sendo importado é fruto de compromissos anteriores à criação do programa de subvenção."

Segundo o Relatório de Comércio Exterior da Agência Nacional do Petróleo (ANP), as empresas privadas já respondiam por 91,1% das importações de diesel e 89,5% de gasolina no ano, até março.

Os volumes importados, porém, estão em queda. As importações de diesel caíram 36,4% nos cinco primeiros meses do ano, ante igual período de 2017, segundo o Sistema de Análise das Informações de Comércio Exterior (AliceWeb) do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Em 2017, US$ 5,6 bilhões foram gastos com importações de diesel e US$ 1,73 bilhão com as de gasolina. Até abril deste ano, o dispêndio foi de US$ 2,39 bilhões com diesel e US$ 693 milhões com gasolina, segundo a ANP.

As compras de diesel do exterior tinham chegado a 1,19 bilhão de litros em abril e fecharam maio em 755,3 milhões de litros. As importações de gasolina, que não têm subsídio, caíram menos - de 275,7 milhões de litros em abril para 226,7 milhões em maio, segundo o AliceWeb. O diesel importado responde por 30% do consumo brasileiro, percentual que é de 17% na gasolina, segundo a consultoria Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).

Considerando-se apenas os associados da Abicom, as importações dos dois combustíveis caíram 35%, de 644 milhões de litros em janeiro, para 417,5 milhões em abril. A associação reúne a Greenergy, Mercuria e Tricon, e as brasileiras Sul Plata, TMP, Grupo BCI, Êxito, Petro Energia e Ciapetro.

Segundo Araújo, o que está travando as importações de terceiros são os preços de referência do diesel previstos no decreto - diferente para cada região do país -, que estão abaixo da paridade de importação. A paridade considera o preço do produto no exterior acrescido de outros custos, como a tarifa de frete, taxa de armazenamento e impostos para internalização dos combustíveis.

O executivo observa que as importações já vinham sendo reduzidas desde o fim do ano passado, quando a Petrobras passou a praticar margens menores nas refinarias, na tentativa de conter o avanço das importações. E destaca que, em alguns polos regionais onde a concorrência é maior, a estatal vem praticando preços muito próximos da paridade internacional.

Como resultado, a Petrobras começou a recuperar parte do mercado perdido para as importadoras. Antes da greve dos caminhoneiros, os números da estatal já mostravam que em abril a participação no fornecimento de gasolina para o mercado interno - incluindo a produção das refinarias - era de 86%, frente a uma média de 83% em 2017. No caso do diesel, a fatia da Petrobras era de 79% em abril, ante os 74% do ano passado.

O Decreto 9.403 fixou em R$ 2,3065 por litro o preço de referência para o diesel vendido no Tocantins, e de R$ 2,2681 para as vendas para a região Norte. Tradicionalmente no Norte os custos de distribuição são mais elevados, e no entanto os valores para a região são mais baratos do que os R$ 2,4055 estabelecidos para Centro-Oeste, Sudeste e Distrito Federal. Para os Estados do Sul, o valor foi fixado em R$ 2,3462 por litro.

Todos consideram como data-base o dia 21 de maio de 2018. Segundo o decreto, caberá à ANP estabelecer a metodologia de atualização diária do preço de referência. Os preços são válidos até 31 de julho. Sobre a consulta pública da ANP, Araújo diz que a preferência do setor é pela política de reajustes diários, mas acha que é compreensível que o governo precise dar alguma previsibilidade e estabilidade de preços. Mas defende que seja mantida a paridade.

"Entendemos a necessidade de termos um amortecimento dessa volatilidade, como outros países fazem, e não vemos problema com a periodicidade mensal ou quinzenal, desde que os preços tenham como referência a paridade de importação. Isso é fundamental", afirma Araújo.

O executivo observa ainda que para aumentar o volume de importações, já que as atuais refinarias não serão capaz de atender à previsão, é preciso investir na infraestrutura de importação, incluindo a capacidade de armazenamento dos produtos. "E ninguém vai investir em infraestrutura e refino sem garantia de retorno", afirma Araújo.

Adriano Pires, diretor do CBIE avalia que a redução das importações por terceiros é prejudicial para a própria Petrobras. "Os preços de referência foram definidos pelo governo abaixo da paridade de importação, justamente para evitar que, ao represar os preços da Petrobras, houvesse uma enxurrada de importações. Ao fim do dia, a Petrobras pode ser obrigada a assumir os riscos e aumentar as importações para garantir o suprimento ao mercado", diz Pires.

FONTE: GS Notícias 03/07/2018

Demanda de gasolina e etanol caiu 3,98 bi de litros em maio

Dados publicados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e compilados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) mostram que a demanda de combustíveis do ciclo Otto (etanol hidratado + gasolina C) no mês de maio, em gasolina equivalente, foi de 3,98 bilhões de litros. “Este é o menor volume mensal nos últimos 5 anos, indicando a grave crise de abastecimento verificada na última semana de maio devido à greve dos caminhoneiros, além de assinalar sensível queda de 11,7% em relação a maio do ano passado. Com efeito, a retração no consumo de janeiro a maio de 2018 em comparação ao mesmo período de 2017 já atinge 3,65%”, disse a Unica em nota.

Os Rstados mais impactados pela crise de abastecimento são os da região Sudeste. Conforme a Unica, nestes locais a redução foi de 13,7% na demanda de combustíveis do ciclo Otto no mês de maio em comparação ao mesmo período de 2017. “Em Minas Gerais, a queda de 20,9% foi a maior do País. No Acre houve a menor redução de demanda registrada para o período (-0,15%).”

A entidade diz que, se a comercialização dos combustíveis não tivesse sido interrompida e levando em consideração a variação média no consumo entre janeiro a abril, a demanda de ciclo Otto deveria totalizar cerca de 4,4 bilhões de litros, cerca de 11,5% superior ao volume registrado efetivamente para o mês

A comercialização de gasolina C pelas distribuidoras somou 3,06 bilhões de litros, queda de 19,0% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já o volume de etanol hidratado consumido no Brasil totalizou 1,31 bilhão de litros, com crescimento de 26% em relação ao mesmo mês de 2017. “Entretanto, o aumento em relação a abril de 2018 foi de apenas 2,1%, evidenciando as consequências negativas na paralisação dos transportes, dado que a demanda foi aquém do que se poderia comercializar no período com o cenário de mercado favorável ao biocombustível”, destaca a Unica na nota.

De acordo com o Levantamento de Preços ao Consumidor e de Margens de Comercialização de Combustíveis realizado pela ANP, o mercado de hidratado esteve muito favorável em maio, com a paridade média de preços entre os combustíveis no Brasil de 65%, muito abaixo da relação técnica que varia entre 70% e 73%.

FONTE: Isto é Dinheiro 06/07/2018

sábado, 30 de junho de 2018

Glencore Energy fecha acordo para compra de 78% da Ale Combustíveis

A Glencore Energy informou nesta sexta-feira que assinou, por meio de subsidiária no Brasil, um acordo para adquirir 78 por cento da Ale Combustíveis, quarta maior distribuidora de combustíveis do Brasil.

Marcelo Alecrim, um dos fundadores da Ale, manterá 22 por cento de fatia no negócio e assumirá o posto de presidente do Conselho de Administração com a conclusão do acordo.

"O investimento proporcionará à Glencore uma plataforma sólida para aproveitar as significativas oportunidades de crescimento interno no setor de combustíveis, com a maior parte do aumento da demanda a ser atendido pelas importações", disse a empresa.

A Ale tem cerca de 1.500 postos de combustíveis em 22 Estados do Brasil, além de cerca de 260 lojas de conveniência.

A transação está sujeita a aprovação do órgão antitruste Cade.

A Ale disputa mercado com empresas como a BR Distribuidora, controlada pela Petrobras, e Raízen, joint venture da Cosan com a Shell.

FONTE: Reuters 29/06/2018

Caminhoneiros discutem tabela do frete mínimo no STF

Representantes de caminhoneiros e dos setores industrial e do agronegócio voltam a se reunir, hoje (28), no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. Convocados pelo ministro Luiz Fux, eles tentam mais uma vez chegar a um acordo sobre o custo do transporte de cargas e a proposta de criação de uma tabela com valores mínimos de fretes.

É a segunda audiência presidida pelo ministro. Como não houve acordo no último dia 20, Fux estabeleceu um prazo até hoje (28) para que as partes cheguem a um consenso. Caso contrário, o próprio ministro decidirá o assunto após colher as sugestões de especialistas, durante audiência pública pré-agendada para o dia 27 de agosto.

A reunião, agendada para as 11 horas, começou com quase uma hora e meia de atraso. Além de representantes de caminhoneiros e das entidades que questionam a constitucionalidade da medida provisória que estabelece a tabela de frete mínimo para o transporte rodoviário, participam da audiência representantes da Advocacia-Geral da União (AGU), do Ministério dos Transportes e da Agência Nacional de Transportes Terrestres (Antt).

O tabelamento do frete foi uma das reivindicações de caminhoneiros atendidas pelo governo federal, no fim do mês passado, para tentar pôr fim à paralisação que durou 11 dias e afetou diversos setores da economia.

Hoje, a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) informou à Agência Brasil que espera que os setores que contratam o transporte de carga se sensibilizem e apresentem uma proposta satisfatória para tentar por fim ao impasse. A entidade defende a implementação de valores mínimos de frete.

Já a assessoria da Confederação Nacional da Indústria (CNI) voltou a se manifestar contrária a que o governo fixe preços mínimos para a realização do serviço.

A CNI é autora de uma das três Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) relatadas por Fux que questionam a constitucionalidade da chamada MP do Frete. Outras duas foram ajuizadas pela Associação do Transporte Rodoviário de Carga do Brasil (ATR Brasil) e pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Na semana passada, durante a primeira reunião no STF, a CNI defendeu que sejam estabelecidos valores de referências, não obrigatórios, a partir dos quais a contratação dos serviços possam ser negociados entre as partes.

Além da reunião com o ministro Luiz Fux, técnicos da Agência Nacional de Transporte Terrestre (Antt) conversam com representantes dos setores produtivos que contratam o transporte rodoviário e analisando as propostas de tabelamento apresentadas pela Federação dos Caminhoneiros Autônomos (Fecam) e pela Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam).

A Abcam afirma que as sugestões para a composição do valor do frete entregues à ANTT, no último dia 14, são compatíveis com a realidade do setor. A entidade, que diz representar cerca de 600 mil caminhoneiros autônomos de todo o país, filiados a uma das 54 entidades associadas, não está participando das negociações conduzidas pelo ministro Luiz Fux.

Favorável a algum tipo de tabelamento mínimo do frete, a Abcam confirmou à Agência Brasil que vem recebendo relatos de que empresas não estão cumprindo a tabela atualmente em vigor – a primeira, publicada originalmente no dia 30 de maio, e a que voltou a vigorar depois que a ANTT suspendeu a segunda versão, no dia 7 de junho.

Embora espere que o governo fiscalize o cumprimento da primeira tabela e oriente os caminhoneiros autônomos a denunciarem as empresas que se negarem a pagar o valor mínimo fixado para o frete, a associação disse entender que, enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) não julgar o assunto ou as partes chegarem a um acordo, o impasse vai persistir com prejuízos para todos, principalmente para os caminhoneiros autônomos. Segundo estes, os valores recebidos, muitas vezes sequer cobrem os custos da viagem, como manutenção do veículo, combustível e outros gastos.

FONTE: Agência Brasil 29/06/2018

Governo notifica distribuidoras que não reduziram preço do diesel

Petrobrás, Ipiranga, Raízen, Alesat, Ciapetro, Royal Fic e Zema foram notificadas a esclarecer por que não repassaram integralmente o desconto garantido pelo governo federal sobre ao preço do diesel.

Ministério da Justiça, por meio do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), notificou as distribuidoras Petrobrás, Ipiranga, Raízen, Alesat, Ciapetro, Royal Fic e Zema a esclarecer por que não repassaram integralmente o desconto garantido pelo governo federal sobre ao preço do diesel. A medida foi anunciada no final de maio em uma negociação entre governo e caminhoneiros para encerrar uma paralisação da categoria que durou 11 dias em diversas estradas brasileiras.

FONTE: Brasil Postos 29/06/2018