sábado, 1 de setembro de 2018

Importadoras de diesel ameaçam abandonar mercado

Representante das empresas importadoras de combustíveis, a Abicom afirma que suas associadas vão se retirar do mercado de óleo diesel até o fim do ano. Elas consideram insuficiente o preço do produto definido pelo governo em seu cálculo da subvenção ao consumo. “Todo mundo que importar vai ter prejuízo”, disse o presidente da entidade, Sérgio Araújo. Sem a participação dos importadores, há risco de desabastecimento, afirmou. O alerta já havia sido dado pela Petrobrás em audiência pública da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), no dia 17.

A partir de sexta-feira passa a valer nova metodologia de cálculo da subvenção do diesel. A fórmula passará a considerar os custos de frete para trazer o combustível até os portos brasileiros, de tancagem para manter o produto armazenado e de transporte rodoviário até o mercado consumidor. Com isso, o governo esperava atrair importadores para o mercado, para torná-lo mais competitivo. Mas, segundo Araújo, a cotação utilizada como referência para o preço do litro não condiz com a realidade, porque está abaixo da paridade internacional.

FONTE: O Petróleo 30/08/2018

ANP divulga metodologia de cálculo do preço de referência do óleo diesel

A ANP publica amanhã (28/8), no Diário Oficial da União (DOU), resolução que estabelece a metodologia de cálculo do preço de referência (PR) para a concessão de subvenção econômica à comercialização de óleo diesel que estará vigente a partir de 31/08/2018. Essa metodologia de cálculo do preço de referência valerá até o fim do programa de subvenção.

Os principais aperfeiçoamentos realizados na proposta após o período de consulta e audiência pública foram:

- substituição dos indicadores Platts por referências Argus para calcular a paridade de importação (PPI) em quatro portos: Itaqui, Suape, Paranaguá e Santos;
- inclusão dos custos de movimentação e armazenagem nos terminais portuários;
- consideração dos custos de logística interna para entrega em cada uma das regiões do país;
- separação das bases regionalizadas Sudeste e Centro-Oeste.

FONTE: ANP 28/08/2018 

MT mostra entusiasmo na produção de etanol de milho

Produção de Mato Grosso abasteceria não apenas o estado, mas também Amazonas e Rondônia.

Mato Grosso mostra um entusiasmo pelo etanol de milho, e o histórico das vendas de combustíveis no estado e nas regiões vizinhas aponta para um bom potencial.

A avaliação é de Andy Duff, analista de açúcar e de etanol do Rabobank, banco especializado em agronegócio.

Na safra 2017/18, Mato Grosso produziu 1,40 bilhão de litros de etanol. Deste volume, 290 milhões foram de combustível oriundo de milho.

A capacidade produtiva a ser incorporada no setor é de 1,5 bilhão de litros, considerados apenas os grandes projetos com o cereal a serem desenvolvidos nos próximos anos.

A produção de Mato Grosso abasteceria não apenas o estado, mas também Amazonas e Rondônia. Nessa região, o consumo de combustível do ciclo Otto (gasolina e etanol) tem evolução média anual de 8%.

A perspectiva de crescimento, tomando como base a média histórica da região, é boa, mas depende de alguns fatores, diz Duff.

Essa dependência passa pela evolução da renda da população, pelo acesso a crédito para a aquisição de carros e pelo aumento do uso do veículo.

O estrategista destaca, ainda, que o aumento do consumo do etanol hidratado depende da eficiência do combustível e da paridade de preços entre álcool e gasolina.

Duff traça dois cenários. Se a gasolina mantiver a fatia atual de mercado, a demanda nos estados de Mato Grosso, Amazonas e Rondônia aumentará 1 bilhão de litros de 2017 a 2023. Eficiência maior do etanol gerará um aumento de 2,1 bilhões de litros no período.

É difícil avaliar os preços futuros, segundo o analista do Rabobank. Eles dependem da oferta de etanol e do valor da gasolina. Já este depende dos preços externos do petróleo, do câmbio e da tributação.

A produção de etanol de milho e de seus derivados (o DDGS é um deles) é interessante, principalmente se o preço do cereal refletir o valor médio dos últimos anos e a venda de etanol ocorrer no estado e na vizinhança sob as condições atuais de precificação da gasolina, diz Duff.

O etanol de milho movimenta outras atividades. Serão necessários 85 mil hectares de eucalipto para a produção de cavacos para a industrialização projetada.

Duff alerta, no entanto, que a demanda de etanol e os preços futuros, por causa da volatilidade natural no setor, podem gerar riscos. É importante testar os projetos com cenários de estresse (Folha de S.Paulo, 28/8/18)


FONTE: Folha 28/08/2018

SUCRO/CEPEA: Diminui vantagem do açúcar frente ao etanol nesta safra

O açúcar cristal negociado por usinas do estado de São Paulo tipicamente remunera mais que os etanóis anidro e hidratado. Essa vantagem do adoçante frente ao biocombustível, no entanto, vem diminuindo na parcial desta safra paulista, segundo apontam cálculos realizados pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP.

Pesquisadores do Cepea indicam que esse cenário está atrelado, especialmente, à baixa no preço do cristal no mercado interno no correr desta temporada, o que, por sua vez, se deve às quedas externas do adoçante, devido ao superávit global da commodity. A Organização Internacional de Açúcar (OIA) projeta superávit de 6,747 milhões de toneladas na safra mundial 2018/19.

De acordo com cálculos realizados pelo Cepea, no acumulado desta safra (de abril a 24 de agosto), o açúcar cristal remunerou apenas 12% a mais que o etanol anidro, enquanto que, nas safras 2016/17 e 2017/18, remunerava bem mais, 66% e 50%, respectivamente. Quanto ao hidratado, o açúcar está 17% mais vantajoso na atual safra, sendo que, nas duas temporadas anteriores, estava 75% e 57% mais remunerador, na mesma ordem. Na semana passada, especificamente, o açúcar remunerou 13% mais que o anidro e 14% mais que o hidratado. 

ETANOL – A demanda por etanol seguiu aquecida na semana passada, enquanto a necessidade de venda por parte das usinas foi menor. No geral, os volumes negociados nos principais estados produtores foram expressivos, o que resultou em alta de preços praticamente diárias.

Entre 20 e 24 de agosto, o Indicador CEPEA/ESALQ do etanol hidratado (estado de São Paulo) fechou a R$ 1,4572/litro, aumento de 4,75% frente ao da semana anterior e a terceira maior alta da safra atual. O Indicador CEPEA/ESALQ do etanol anidro, também no mercado paulista, fechou em R$ 1,5805/litro, elevação de 1,13% no mesmo período.

ETANOL X GASOLINA – Cálculos realizados pelo Cepea com base nos dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) mostram que a paridade média de preços entre o etanol e a gasolina esteve bastante favorável para o hidratado entre abril e a segunda quinzena de agosto frente aos últimos cinco anos-safras. Segundo dados da ANP, nas bombas de São Paulo, de 19 a 25 de agosto, o preço da gasolina C foi de R$ 4,189/litro e o do etanol, de R$ 2,393/litro, gerando relação média de preços entre os combustíveis de 57,1%.

Na parcial desta safra, em Goiás, Mato Grosso e São Paulo, as relações ficaram abaixo de 70% (a 67,6%, 64,7% e 65,8%, respectivamente), enquanto em Minas Gerais e Paraná estiveram acima desse patamar (em 70,4% em ambos os estados), sendo, nestes dois últimos estados, indiferente abastecer com um ou outro combustível. 

FONTE: CEPEA 28/08/2018

Fipe: relação etanol/gasolina cai a 58,09%, seguindo no menor nível desde 2010

A relação entre os preços do etanol e da gasolina manteve-se abaixo de 60% na terceira semana deste mês na capital paulista, conforme a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). No período, essa equivalência atingiu 58,09% após 58,83% na anterior. O resultado é menor para uma terceira semana de agosto desde 2010, quando alcançou 57,61%, refletindo a ampla oferta do álcool combustível, afirma Moacir Mokem Yabiku, gerente de pesquisa da Fipe.

No Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a taxa de inflação na cidade de São Paulo, os preços do etanol acentuaram o ritmo de queda na terceira quadrissemana de agosto - últimos 30 dias terminados na quinta-feira (23). No período, o recuo foi de 6,76% após retração de 6,63% na anterior. Já os preços da gasolina diminuíram a velocidade de declínio para 1,34% depois do recuo de 1,53% antes.

Para especialistas, o uso do etanol deixa de ser vantajoso quando o preço do derivado da cana-de-açúcar representa mais de 70% do valor da gasolina. A vantagem é calculada considerando que o poder calorífico do etanol é de 70% do poder do combustível fóssil. Com a relação entre 70% e 70,5%, é considerada indiferente a utilização de gasolina ou etanol.

FONTE: Estadão 27/08/2018